GCMD – Porque é que acha que se tem notado tanto um revivalismo do preto e branco em vários trabalhos fotográficos?
FF – Nos jornais não acontece porque isso seria estarmos a retroceder na nossa evolução. Em relação a certos trabalhos fotográficos, depende daquilo que se vai fotografar. Dando exemplos concretos: se formos fazer um trabalho no Carnaval do Brasil, não faz sentido fotografarmos a preto e branco, porque o que se quer transmitir é toda a agitação e alegria de lá; por outro lado se formos fotografar uma tragédia no nosso país, ou uma guerra qualquer, talvez o preto e branco seja a melhor escolha.
Depende muito do que é que vamos fotografar e que mensagem queremos transmitir com aquilo que fotografamos.
Eu pessoalmente prefiro trabalhos a preto e branco.

GCMD – Não acha que o fotojornalismo pode perder a sua credibilidade quando falamos em “manipulação digital”?
FF – Se formos sérios, à partida publicamos as fotografias tal como elas foram captadas, para transmitirmos a mensagem o mais fiel possível ao real.
Se tivermos que fazer uma fotomontagem para um certo trabalho e assinalarmos ao lado da fotografia que se trata efectivamente de uma fotomontagem (como às vezes fazemos por exemplo quando um jogador ainda não assinou por um certo clube e aparece na capa já com a camisola desse clube), não acho que tire credibilidade. É comum fazermos este tipo de montagens nos jornais desportivos, mas há que assinalar sempre quando se trata de uma, caso contrário não é correcto e, sim, perde toda a credibilidade. Além disso uma pessoa que perceba de fotografia consegue identificar facilmente uma fotomontagem.

GCMD – Para terminar, e a título de curiosidade, quais foram os trabalhos que mais gostou de fazer?
FF – Isso é difícil responder, porque já tenho muitos anos de carreira.
Bom, do meu clube em particular, que é o Belenenses, não tenho muitas recordações porque ganha pouco (risos).
Gostei por exemplo de fazer a cobertura da final da Liga dos Campeões em 1990 entre o Benfica e o Milão, em Viena. Durante dois dias só se falava português e italiano na Áustria.
Também me deu muito gozo um roteiro que tive de fazer para o Record na Holanda e na Bélgica, antes de se realizar o Europeu de 2000, sobre os estádios, restaurantes, hotéis, locais a visitar, etc.
Por último gostei também de ir trabalhar num jogo entre uma equipa da Macedónia e outra de Israel, completamente desconhecidas. O vencedor deste jogo ia jogar posteriormente com o Sporting. A certa altura, em Jerusalém, enquanto estava a visitar alguns monumentos, vejo um grande aparato e acabei por saber que ali perto tinha rebentado uma bomba. Quando cheguei ao local, que era num mercado, acabei por fazer nova reportagem, e é o que no fundo um fotojornalista deve ser: estar sempre disponível para fotografar, onde quer que esteja, e ser o mais fiel à realidade.











