Entrevista a Fernando Ferreira – parte II

•Dezembro 13, 2008 • 1 Comentário

GCMD – Porque é que acha que se tem notado tanto um revivalismo do preto e branco em vários trabalhos fotográficos?

 

FF – Nos jornais não acontece porque isso seria estarmos a retroceder na nossa evolução. Em relação a certos trabalhos fotográficos, depende daquilo que se vai fotografar. Dando exemplos concretos: se formos fazer um trabalho no Carnaval do Brasil, não faz sentido fotografarmos a preto e branco, porque o que se quer transmitir é toda a agitação e alegria de lá; por outro lado se formos fotografar uma tragédia no nosso país, ou uma guerra qualquer, talvez o preto e branco seja a melhor escolha.

Depende muito do que é que vamos fotografar e que mensagem queremos transmitir com aquilo que fotografamos.

Eu pessoalmente prefiro trabalhos a preto e branco.

 

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GCMD – Não acha que o fotojornalismo pode perder a sua credibilidade quando falamos em “manipulação digital”?

 

FF – Se formos sérios, à partida publicamos as fotografias tal como elas foram captadas, para transmitirmos a mensagem o mais fiel possível ao real.

Se tivermos que fazer uma fotomontagem para um certo trabalho e assinalarmos ao lado da fotografia que se trata efectivamente de uma fotomontagem (como às vezes fazemos por exemplo quando um jogador ainda não assinou por um certo clube e aparece na capa já com a camisola desse clube), não acho que tire credibilidade. É comum fazermos este tipo de montagens nos jornais desportivos, mas há que assinalar sempre quando se trata de uma, caso contrário não é correcto e, sim, perde toda a credibilidade. Além disso uma pessoa que perceba de fotografia consegue identificar facilmente uma fotomontagem.

 

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GCMD – Para terminar, e a título de curiosidade, quais foram os trabalhos que mais gostou de fazer?

 

FF – Isso é difícil responder, porque já tenho muitos anos de carreira.

Bom, do meu clube em particular, que é o Belenenses, não tenho muitas recordações porque ganha pouco (risos).

Gostei por exemplo de fazer a cobertura da final da Liga dos Campeões em 1990 entre o Benfica e o Milão, em Viena. Durante dois dias só se falava português e italiano na Áustria.

Também me deu muito gozo um roteiro que tive de fazer para o Record na Holanda e na Bélgica, antes de se realizar o Europeu de 2000, sobre os estádios, restaurantes, hotéis, locais a visitar, etc.

Por último gostei também de ir trabalhar num jogo entre uma equipa da Macedónia e outra de Israel, completamente desconhecidas. O vencedor deste jogo ia jogar posteriormente com o Sporting. A certa altura, em Jerusalém, enquanto estava a visitar alguns monumentos, vejo um grande aparato e acabei por saber que ali perto tinha rebentado uma bomba. Quando cheguei ao local, que era num mercado, acabei por fazer nova reportagem, e é o que no fundo um fotojornalista deve ser: estar sempre disponível para fotografar, onde quer que esteja, e ser o mais fiel à realidade.

Entrevista a Fernando Ferreira – parte I

•Dezembro 8, 2008 • Deixe um Comentário

No passado dia 24 de Novembro de 2008 fomos à redacção do Jornal Record entrevistar o fotógrafo Fernando Ferreira, que apesar de ser fotojornalista desportivo desde há cerca de 25 anos para cá, já fez também vários tipos de trabalhos fotográficos.

 

Grupo CMD – Pode-nos dar uma definição de fotojornalismo?

 

Fernando Ferreira – O fotojornalismo consiste sobretudo em registar na máquina da forma mais real possível qualquer tipo de acontecimento que possa marcar a actualidade.

 

GCMD – Estando no local a fotografar, quais são os critérios para a captação da fotografia?

 

FF – À partida nunca há critérios definidos porque nada está programado, as coisas vão acontecendo. O nosso objectivo é tentar captar sempre da melhor forma aquilo que fotografamos, por isso é que existe aquela velha máxima de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Queremos que as pessoas olhem para as nossas fotografias e não precisem de ler qualquer legenda.

 

GCMD – Relativamente a esse ponto, já lhe aconteceu uma legenda não estar de todo associada à mensagem que você quis transmitir com a fotografia?

 

FF – Já aconteceu. Mas hoje em dia os jornais trabalham em equipa. Depois de determinado trabalho, faço uma pré-selecção de fotografias e depois quem escreve diz-me mais ou menos sobre o que é que vai escrever, e acaba por haver uma consonância entre o texto e a imagem.

 

GCMD – E nesse trabalho de equipa é você quem tem a palavra final sobre as fotografias a publicar?

 

FF – Não. Eu indico apenas um grupo de fotografias; faço uma pré-selecção das melhores que consegui. Depois é o editor que dessa pré-selecção faz uma escolha das melhores para o interior do jornal. No que à capa diz respeito, a fotografia de destaque será sempre aquela que marcou o acontecimento. No caso do Record, e depois de um jogo, é quase sempre o festejo de um golo, embora não seja sempre assim. Por exemplo quando o Fehér morreu no jogo do Benfica em Guimarães, nesse dia pouco importaram os golos e os festejos, e não fizemos uma capa assim.

 

GCMD – Em relação à fotografia em si, quais são para si as principais diferenças entre aquilo que a fotografia era quando você se iniciou no meio em relação aos dias de hoje, com esta nova era do digital?

 

FF – Em relação à publicação no jornal, a única diferença é que antigamente era tudo publicado a preto e branco e agora é a cores.

Quanto ao processo de fotografia em si, nós antigamente usávamos a máquina com rolo, e depois de fotografarmos determinado evento vínhamos para o laboratório da redacção para revelar o rolo, ampliar as fotografias e passar para o papel. De seguida fazia-se a tal selecção de fotografias com o editor e uma vez escolhidas seguiam para a gráfica. Isto quando os jornais eram apenas a preto e branco.

Depois os jornais começaram a ter algumas páginas a cores e outras a preto e branco. Nesta altura o processo tinha praticamente os mesmos moldes que na fase anterior, só que no momento de passar a fotografia para papel dirigíamo-nos para uma casa especial que fizesse esse trabalho, pois o jornal não tinha essa maquinaria. Nesta altura perdemos talvez um pouco o nosso auto-domínio, uma vez que eram outras pessoas que passavam as fotografias para o papel, sendo que a maior parte das vezes essas pessoas nem eram fotógrafos.

Finalmente, chegou o período do digital e os jornais começaram a publicar praticamente tudo a cores. Nesta altura voltámos a adquirir o auto-domínio que perdemos na fase anterior porque no digital passamos as fotografias para o computador e somos nós que fazemos os enquadramentos necessários. Tanto a fotografia como os jornais saem vencedores. Isto sem falar da qualidade que o digital trouxe à fotografia, porque antes do digital seria praticamente impensável tirar por exemplo fotografias à noite com a qualidade dos dias de hoje.

Fotografia da Semana #8

•Novembro 30, 2008 • 1 Comentário

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O acontecimento que marcou esta semana foram os atentados à cidade de Bombaim, na Índia, tendo sido o hotel Taj Mahal um dos alvos.
Fotografia de Punit Paranjpe, da agência Reuters.

Brevemente

•Novembro 30, 2008 • Deixe um Comentário

Na passada Segunda-feira fomos entrevistar o fotojornalista Fernando Ferreira.

Entre outros, abordaram-se temas como a evolução da fotografia e a questão da manipulação do digital.

A entrevista completa, assim como algumas fotografias do seu trabalho, será publicada aqui no blog no final da próxima semana.

World Press Photo 2008

•Novembro 28, 2008 • Deixe um Comentário

Termina hoje a exposição do concurso World Press Photo 2008 no Fórum da Maia.

A mais importante mostra de fotojornalismo do Mundo está a passar por vários locais de 40 países, sendo que na deste ano contam-se 185 imagens, distribuidas por 10 categorias.

De entre as fotografias expostas destaca-se a vencedora do prémio de 2008.

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Ilustra um militar norte-americano a descansar num bunker.  Foi captada no Afeganistão pelo fotojornalista britânico Tim Hethrington, e foi a grande vencedora por considerar o júri da World Press Photo que retrata «a exaustão de um homem e de uma Nação».

Mais sobre as fotos vencedoras no site oficial da World Press Photo.

O trabalho de.. Cartier-Bresson

•Novembro 28, 2008 • Deixe um Comentário

Henri Cartier-Bresson foi um influente fotógrafo do séc. XX e é considerado o pai do fotojornalismo.
Nasceu em Canteloup, França, em 1908. Começou por se interessar pelo estudo da pintura mas acabou por fazer da fotografia carreira.

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Trabalhou para quase todos os jornais e revistas internacionais mais importantes, e foi um dos co-fundadores da conceituada Agência Magnum. Os seus trabalhos levaram-no a viajar pela Índia, Paquistão, China, Indonésia, Cuba, México, Canadá, Japão e a antiga União Soviética.

O reconhecimento mundial deu-se quando cobriu em 1948 os últimos dias da existência de Mahatma Ghandi e em 1949 a fase final da Guerra Civil Chinesa.

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Editou uma série de livros ilustrados com os seus trabalhos fotográficos, e em 1966 deixou a Agência Magnum, para se dedicar mais à sua antiga paixão – a pintura.
No princípio dos anos 70 deixou de ser fotógrafo profissional, dando apenas uso privado à máquina.

“All I care about these days is painting — photography has never been more than a way into painting, a sort of instant drawing.”

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Cartier-Bresson faleceu em Agosto de 2004, com 96 anos. É considerado um dos maiores fotógrafos de todos os tempos.

“In whatever one does, there must be a relationship between the eye and the heart.”
(Henri Cartier-Bresson)

Fotojornalismo Caseiro #2

•Novembro 23, 2008 • Deixe um Comentário

Nos dias 21, 22 e 23 de Novembro, decorreu um simulacro de um sismo nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal. Foi o maior simulacro que alguma vez houve no país, e teve como objectivo detectar falhas e fragilidades em caso real de sismo.

Foram várias as entidades envolvidas no exercício: PSP, GNR, Bombeiros, INEM, PJ, Cruz Vermelha Portuguesa, etc.

Aproveitámos a oportunidade para podermos dar continuidade à rubrica Fotojornalismo Caseiro, e dirigimo-nos a um dos locais destes exercícios.

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Além da rubrica, gostaríamos também de abordar neste post a questão da autenticidade das fotografias nos dias de hoje.

Ao vermos estas fotografias, à partida as conclusões que iríamios extrair seria que de facto tinha havido um incêndio neste posto de abastecimento, pois podemos observar algum fumo, Bombeiros, Polícia, aparato, etc. Não passou tudo de uma encenação. No entanto, se ninguém tivesse conhecimento da notícia, facilmente identificavam um incêndio no posto de abastecimento.

Se vemos fotografias que podem estar sujeitas a mais do que uma interpretação, quer dizer que também o próprio fotojornalismo e a fotografia em geral podem ser simulados, e não retratarem a realidade tal como ela é.

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Este é um dos principais pontos de discussão do fotojornalismo: o facto de se poderem “encenar” determinados tipos de acontecimentos, não só no momento de captura da imagem como também mais tarde num qualquer programa de computador.

Muitos trabalhos de fotojornalismo são apenas imagens, e certas imagens são susceptíveis de discussão e de interpretação de conteúdo. Portanto, é conveniente que em fotografias que possam suscitar essa discussão se relate também o que se pode observar, fazendo a ponte entre aquilo que é a fotografia e o jornalismo escrito.

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Para um completo visionamento de tudo o que se passou neste simulacro, podem seguir este link que vos reencaminhará para um slideshow com áudio feito pelo jornal Expresso.

Se tiverem curiosidade de saber os número oficiais do exercício feito nestes três dias e o que é que falhou, vejam esta notícia avançada pela Agência Lusa.

Fotografia da Semana #7

•Novembro 23, 2008 • Deixe um Comentário

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Uma mulher israelita assiste ao curso das cheias perto de Mitzpe Shalem. Fotografia da Agência Reuters, de Baz Ratner.

Fotografia da Semana #6

•Novembro 16, 2008 • Deixe um Comentário

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À semelhança do que aconteceu na Fotografia da Semana #3, também esta semana damos destaque a algo que ficou fora da agenda da comunicação social em Portugal.

Fotografia de um grupo de órfãos e crianças perdidas num centro de descanso no Congo. Apelidada “Órfãos da Guerra”, foi tirada esta quinta-feira por Jerome Delay, da Associated Press.

Fotografia da Semana #5

•Novembro 9, 2008 • Deixe um Comentário

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Barack Obama venceu as eleições do passado dia 4 de Novembro e é o novo presidente dos Estados Unidos da América.

Aqui o vemos a discursar na noite de eleição, fotografado pela United Press International.